quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Viagem Joinville-São Fco. de Paula. Dia 8:Cambará do Sul-São Fco. de Paula-26/09/2012

Dia amanheceu com uma garoa fina, nublado e com a temperatura ainda mais baixa. Como o dia estava programado para visitarmos o cânion Fortaleza (49 km. de ida/volta), fomos tomar o café às 07:30h. e aguardar um pouco para ver se haveria alguma melhora nas condições climáticas.
Como o tempo foi passando e nada mudou e, também na incerteza de ficarmos um dia parado e não termos garantia de que o próximo seria melhor, resolvemos seguir viagem rumo a Canela.
O objetivo inicial da minha viagem era chegar de bike em Porto Alegre para visitar o irmão mais novo da mulher, como relatei no primeiro dia da viagem.
Durante os dias que pedalei com o Lyra, consensamos que de Canela (ou Gramado) em diante iríamos de ônibus, pois este trajeto que seria via asfalto passando por Cachoeirinha, já era conhecido por nós e além de ter o problema do trânsito (existência de ciclovias ou não) na entrada de Porto Alegre.
Às 08:40h. saímos da pousada e aproveitamos parar na praça central, já que era nossa rota do dia.



Galeteria O Casarão.


Esta é para quem não acredita que estávamos falando de frio.



Centro Cultural Dr. Santo Bornéo. Construção de 1.935.




Portal de saída de Cambará. O trajeto do dia seria todo por asfalto, via RS-020.



Antes do trevo da localidade de Tainhas (confluência com a RS-486), a chuva que tinha iniciado com uma garoa se intensificou. A sensação térmica era abaixo de zero e tive que usar sacos plásticos zip nas luvas para não congelar os dedos.
Paramos no Café Tainhas para um lanche. O retorno para a estrada não foi nada agradável, pois o processo de esfriar e esquentar demora um pouco.




Ao chegarmos no trevo de São Fco. de Paula, resolvemos entrar na cidade para comermos mais alguma coisa. A chuva continuava forte. Enquanto fazíamos o lanche, o corpo esfriou e com as roupas molhadas pela chuva e pelo suor, uma sensação de tremor foi tomando conta do corpo.
Como no dia de amanhã iríamos viajar de Canela (que já conhecíamos) para Porto Alegre de ônibus, resolvemos antecipar em função do tempo. Para tanto tínhamos que ver se existia horário/passagem para a capital gaúcha. Encontramos às 15:30h. Sobrava meia-hora para conseguirmos autorização para levar as bikes e trocarmos de roupas. Foi uma correria só. Lyra foi em lojas próximas da rodoviária conseguir umas caixas de papelão para proteger um pouco as bikes. Enfim, tudo acertado, zarpamos mas com um pequeno problema. O trajeto no sentido Taquara, logo no início tem muitas curvas descendo e o Lyra enjoa em viagem de ônibus. Como o comprimido só faz o efeito após algum tempo, ele chegou em Porto bem abatido. Chegamos na rodoviária às 18:30h.
Fomos ver passagem de ônibus para Joinville e Curitiba. A Pluma tinha um leito às 20:30h. O Lyra resolveu voltar de avião, pois deste jeito ficaria mais tranquilo com o problema do enjôo.
Ele aproveitou as caixas de papelão, desmontou o guidão e os pedais e com fita que carregava, fez uma embalagem para levar a bike num táxi até o aeroporto.
A Pluma apenas exigiu apenas que tirasse a roda da frente e não cobrou nenhuma taxa.
Aproveitei o tempo de espera para ligar o meu cunhado Marcos Aurélio que estava saindo do trabalho.
Conversamos por um bom tempo enquanto o Lyra acabava de ajeitar suas tralhas. Logo pegou um táxi e mais tarde me despedi do Marcos por estar próximo da minha partida.
Às 06:30h. estava de volta em casa.




Km. do dia (trajeto de bike): 72.
Track: aqui

Resumo de km. total da viagem: 632 km.
Altimetria acumulada total: 11.580 m.

Viagem Joinville-São Fco. de Paula. Dia 7:São José dos Ausentes-Cambará do Sul-25/09/2012

O dia amanheceu bem frio e com uma neblina densa. Após o café, começamos o nosso pedal que teve algumas variantes desconhecidas no mapa do trajeto, isto é, algumas perdidas na parte urbana de São José.
Mas logo estávamos na BR-285 e os primeiros 5 km. foram de asfalto. Depois voltamos a nossa conhecida estrada de chão, ora com pedras soltas, ora socadas.




Pousada Vale das Trutas (São José)





Na altura do posto de controle de ICMS,  dobramos à direita e pegamos a RS-020. A BR-285 segue rumo a cidade catarinense de Timbé do Sul, passando pela serra da Rocinha. Existe um projeto bem antigo para ser asfaltada, pois é a interligação mais curta na região, entre os dois Estados.
Neste ponto, dois cachorros (após alguns agrados), resolveram nos acompanhar. Como era um trecho de descida, eles não tinham a mesma velocidade, mas devido a mudança do tempo e com início da chuva, tivemos que parar e colocar as capas de chuva. E lá chegaram os dois.
Era uma trovoada se aproximando e a chuva aumentou muito. Aproveitamos que estávamos chegando na Pousada Flor de Açucena e demos uma parada na esperança que a chuva amainasse.
Fomos muito bem recebidos pelo capataz e proprietário, conversamos uns 30 minutos e quando a chuva acalmou seguimos viagem.
Os cachorros foram mandados embora pelo pessoal da pousada, pois na mesma já tinham 2 ou 3, e poderiam entrar em briga.





A trovoada e a chuva trouxeram uma mudança no clima, entrando um vento forte e baixando a temperatura.
Na localidade de Rio Verde, paramos numa lanchonete ao lado de uma fábrica de celulose (Cambará S.A.) para o nosso lanche/almoço.
Logo enfrentamos um trecho em obra e com algumas subidas fortes e com bastante terra revirada. No topo fomos premiados com um trecho de asfalto até Cambará.
Ao chegarmos na cidade, fomos até a Casa do Turista pegar informações sobre pousadas. Enquanto o Lyra obtinha os detalhes, fiquei de lado de fora e ficando parado dava para sentir a baixa temperatura.
Após não encontrar ninguém para nos atender em uma, na outra o preço estava exorbitante, em outra instalações bem antigas, acabamos ficando na Pousada Pôr do Sol (54) 3521-1390. Ficava na entrada, aonde já tínhamos passado. Possuía calefação que era fundamental com aquele frio todo. Desta pousada já tinha obtido boas informações na internet e conversando com o proprietário fiquei sabendo que grupos de Joinville que foram pedalar na região, também ficaram por lá.
Para compensar o almoço, fomos jantar na Galeteria O Casarão (54) 3251-1711, que pelo site dá para ter uma noção da variedade de comida. Com aquele frio nada melhor do que uma sopa que os gaúchos chamam de agnolini (capeletti), massa com recheio de frango temperada com noz noscada.
A pousada fica a uns 300 m. do restaurante e foi uma opção ideal para não retirarmos as bikes que estavam guardadas.

Km. do dia: 59.
Track: aqui




Viagem Joinville-São Fco. de Paula. Dia 6:Bom Jardim da Serra-São José dos Ausentes-24/09/2012

Como a neve prevista não chegou, o frio que se apresentava já estava de bom tamanho para ser encarado na estrada. Café a beira de um fogão de lenha, rosquinhas frescas feitas de polvilho e queijo branco, preparadas pela Dona Tereza, foram os ingredientes certos para o nosso aquecimento inicial.
Arrumamos os alforjes, nos despedimos do Sr. Anastácio, D. Tereza e Gabriel, agradecendo a atenção e carinho com que nos atenderam e, às 08:05h. passamos pela porteira da fazenda.



Logo estávamos na cidade, aonde paramos num mercado e precavidamente selecionamos os componentes do nosso almoço, pois a nosso trajeto seria por uma estrada pouco movimentada e não tínhamos certeza do que encontrar para comer.
O início foi um belo sinal do que seria uma constante neste dia: subir/descer ou vice/versa. Ainda bem que estes aproximados 4 km. de subida foram de asfalto, se transformando em seguida na estrada de chão em obras. Caminhões, máquinas da empreiteira e muitas pedras soltas pelo caminho.




Rios não faltam no trajeto.



Para quem se interessar um pouco pela história da vaca mecânica.




Para chegar na localidade de Várzea, aonde está o Rio das Contas que faz a divisa SC/RS, tivemos um 8,5 km. de descidas acentuadas aonde todo o cuidado era pouco para não cair (pedras e mais pedras). Chegamos na altitude mais baixa deste trajeto (próxima de 1.000m.),  e aproveitamos algumas sombras próximas da margem para fazermos o nosso lanche/almoço.
Ao atravessarmos a ponte, fomos em busca de água numa casa próxima para suprir as caramanholas.
O Sr. Anastácio que passou recentemente nesta trajeto, tinha comentado que a estrada no trecho do RS estava bem melhor que em SC. Confirmamos que a informação era verdadeira.


Lá no fundo, parque de energia eólica.


Cemitério isolado.


Tínhamos no planejamento do dia, uma visita ao canion Monte Negro, mas devido o horário tivemos que passar direto.
Na confluência com a estrada que vem de São Joaquim e bem próximo ao Rio do Marco, tem  placas com todos os roteiros da região.


Rio e pequenas quedas d'água no acesso a localidade de Silveira.


Em Silveira, paramos em uma padaria para um lanche.Com tínhamos aprox. uns 23 km. para chegar em São José e já passavam das 16:30h., tivemos que elevar o ritmo das pedaladas para não chegar depois do anoitecer. Tivemos sorte que a estrada estava em bom estado e tinha longas  retas e poucas subidas acentuadas.
Com as informações obtidas em Silveira, ao chegarmos em São José dos Ausentes, bem na entrada da cidade tinha o posto e hotel Cesa (54) 3234-1166, aonde ficamos. Apto. bem confortável.
A temperatura estava bem fria.
Jantamos no próprio hotel e fomos dormir cedo, pois o cansaço era muito grande.

Km. do dia: 89 com 1.976 m. de altimetria.
Track: aqui

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Viagem Joinville-São Fco. de Paula. Dia 5:Lauro Müller-Bom Jardim da Serra-23/09/2012

A ansiedade para a subir a Serra do Rio do Rastro me fez sair cedo da cama. A partir de hoje eu teria um companheiro, que conforme escrevi no dia 1 da viagem, irei relatar melhor agora como nos encontramos. A princípio faria uma viagem solo, mas como a família fica extremamente preocupada, coloquei um post lá no fórum do Pedal, para ver se tinha alguém interessado em me acompanhar. A data sugerida inicial era no início de outubro. Coincidência ou não, quem me respondeu foi o Lyra, que já o conhecia de alguns pedais com o grupo do qual faço parte Odois Expedição e Cicloturismo e que tinha o mesmo objetivo de roteiro depois de Lauro Müller.
A sua viagem foi denominada de Serras do Sul e na qual o acompanhei no dia 02, por ser próximo de Joinville. Hoje seria o dia 09 para o Lyra.
Acertamos os detalhes de data (mudada para setembro) e do ponto de encontro, cada um iniciando a sua viagem no devido tempo para permitir o encontro de hoje. Hoje ele desceria a serra e voltaria a subir comigo.
O dia amanheceu bonito e com baixa temperatura, mas depois foi nublando. Tomei o café às 07:40h. e fiquei aguardando. 
Ontem à tarde (sábado) e hoje de manhã (domingo) fiquei observando o trânsito na frente da pousada. Por ser final de semana, a procura para subir/descer a Serra do rio do Rastro é muito grande, principalmente de motos de grandes cilindradas.
O Lyra chegou um pouco antes do horário combinado (10:00h.) e aproveitou para tomar um café também, pois saíra da pousada em Bom Jardim bem cedo e sem o devido lanche, para não se atrasar.
Às 10:20h. iniciamos o percurso do dia.


Pequena parada para tirar as blusas. O aquecimento já estava pronto.







Já tinha passado algumas vezes na serra de carro, tanto subindo como descendo, mas a sensação de pedalar, subindo e com carga, é totalmente diferente. A pista de concreto serrilhado (segurança em dias de chuva e principalmente quando cai neve) ajuda ainda mais a segurar a velocidade que já é bem baixa.
A montanha parece inexpugnável e a cada curva vencida, é um momento de grande prazer.
As paradas foram constantes para dar um refresco na frequência cardíaca, pois o motor 6.2 (faltavam poucos dias para ser turbinado para 6.3) combina muito bem com um velho ditado: devagar e sempre.
A paciência e principalmente o incentivo do Lyra, foram fundamentais para que eu vencesse este gigante.


Tivemos que colocar as blusas novamente, pois devido a altitude a temperatura foi baixando.





Extenuados, mas extremamente alegres, chegamos ao topo às 13:30h.





O nosso destino do dia era a fazenda de um grande amigo em Bom Jardim, o Wilson (de camisa branca), que já tinha nos recepcionado lá em Lages ( eu e o Lulis) quando da nossa viagem para Erechim.
Mas antes paramos numa churrascaria para repormos todas as calorias consumidas.
Sentimos muito a ausência do Wilson, mas como estava com um problema sério de coluna, não pode se deslocar de Lages.
Em 2.005, um ano antes de parar minha atividade profissional, o Wilson foi o meu incentivador na volta ao ciclismo, que pratiquei intensamente na minha adolescência e juventude em Brusque.
Fomos muito bem recepcionados pelo capataz da fazenda, Sr. Anastácio, sua esposa Dona Tereza e o neto Gabriel. Foi um prazer revê-los, pois por diversas vezes já estive no local com a esposa, para aproveitar a tranquilidade e a beleza da região e, principalmente para desfrutar da companhia agradável da Glória e do Wilson.
Chegamos às 15:55 h. e aproveitamos para lavarmos algumas peças de roupas, passá-las na centrífuga e estendê-las lá fora no varal. A noite, Dona Tereza enquanto preparava um belo jantar, preocupada com as roupas úmidas, colocou as peças em volta do fogão a lenha, para que a nossa roupa estivesse seca ao amanhecer. 



O dia seguinte prometia ser de muito frio ou até com neve, apesar de ser início da primavera.
Pelo Seu Anastácio poderíamos adentrar a madrugada, pois histórias para narrar a sua vida não lhe faltam. Ele possui uma memória primorosa e a gente se sente com se estivesse vivenciando cada momento do passado.
Mas como o próximo dia prometia ser puxado, tratamos de nos recolher e aproveitar a bela cama com diversas cobertas, para o merecido repouso.

Km. do dia: 35, com altimetria de 1.528 m.
Track: aqui